domingo, 1 de agosto de 2010

"Para depois das seis..."

"...Preciso escrever para afirmar a minha existência... Sinto intensamente para anestesiar a minha dor... Vasculho até o fundo dos meus sentimentos para perceber que nem o pingo do “i” restou... Lapido arduamente a minha deformidade na busca de encontrar uma forma, e constato que quanto mais esculpida sou menos simétrica fico... O pingo que tanto procurei deixou apenas um minúsculo borrão... Parece que para se livrar de algo preciso saturar... É como se empanturrar daquele chá até que as suas papilas não diferenciem mais o prazer do gosto que dá o último gole do prazer que sentiu ao prová-lo... Só quando chego neste ponto sou capaz de sentir desprazer e parar...
Sou preenchida por um vazio libertador... Pelo descompromisso de não ter que buscar aquele minúsculo borro... A minha carne pode ser tocada... Agora tenho vida... Renasci... Hoje estou no infinito das coisas... Sem grandes sensações... Pergunto "Poderia ser mais simples?”... Mas se fosse essa a resposta... Não seria eu, seria imitação... Penso "Tenho que sobreviver"... Contemplo o silêncio... Não espero grandes mudanças... Espero constantes mudanças... Tudo que é grande não suportamos, vira agudo... Mas aquilo que sentimos aos poucos é suportável até tornar-se um minúsculo pingo..."
Aos leitores do NADA...

Nenhum comentário:

Postar um comentário