sábado, 12 de junho de 2010

"Sigo com Martha Medeiros.."

Sensibilidade demais
Na hora de listar as qualidades que a gente quer encontrar nas pessoas com quem iremos nos relacionar vida afora, está lá a indefectível “sensibilidade”.
A gente quer que o patrão seja sensível e não um grosso. A gente quer que nossa amiga seja sensível e não um trator. A gente quer - e como quer! - que nosso namorado seja sensível e não um machista brucutu.
Encontrar sensibilidade nos outros é meio-caminho andado para o entendimento. E sermos, nós mesmos, sensíveis, também é um filtro bem-vindo, é a sensibilidade que permite nossa comoção diante de um quadro, de uma música, de um amor que nos arrebata ou de uma perda irreversível.
Mas admito que sinto uma certa inveja daquelas pessoas que são sensíveis mas não se tornam vítimas da própria emoção. Porque sensibilidade demais esgota a gente.Tem horas em que o filtro não filtra coisa nenhuma: permite que a gente seja atingido profundamente por coisas que mereceriam menos entrega. Cultivamos mágoas por coisas que nos aconteceram 15 anos atrás, remoemos culpas que já foram mais que perdoadas e esquecidas, temos nosso sistema nervoso totalmente abalado porque alguém compreendeu mal nossas palavras, sofremos por questões insolúveis, sofremos, sofremos, e sofrer dá uma senhora consistência à nossa vida, mas como cansa.
Às vezes me farto dos ideais que persigo e que, por serem ideais, nunca se concretizarão plenamente. A vida é defeituosa, imprevisível, nada é exatamente como a gente gostaria que fosse - e sensibilidade é algo que faz a gente aceitar isso e ser feliz do mesmo jeito. Já sensibilidade demais dá nos nervos e fatiga à toa. Uma certa frieza nos faz andar mais rápido, não nos retém.
Como se mede, se pesa, se percebe a sensibilidade suficiente e a sensibilidade excessiva? No quanto ela joga a nosso favor ou contra. Sensibilidade suficiente refina você, lhe dá um foco na vida. Já a sensibilidade excessiva faz de você protagonista de um dramalhão mexicano. Temos escolha? Não se escolhe, é o que se é. Os que são sensíveis na medida aproveitam a vida sem duras cobranças internas. Já a turma dos excessivos pega canetas, câmeras, pincéis, sapatilhas, instrumentos, e transforma o excesso em arte. Ou faz besteiras. Cada um encontra onde colocar sua sensibilidade, uns com leveza, outros com fartão de si mesmos. Os únicos que seguem não entendendo nada são os insensíveis.
"Sobre a imagem... Para mim, o palhaço disfarçou o sofrimento com gargalhadas..."
Upas Upas...

2 comentários:

  1. um livro que eu li quando tinha nove anos ( era um livor para 5 anos mas f*****) que era sobre palhaços dizia exatamente esse seu final ai " todos os palhaços choram" eu entendi isso como: se até os palhaços passam por coisas ruins, pq eu ñ posso também passar??? afinal essa questão de lidar com o sentimentalismo está diretamente ligada a "auto valorização" ou seja: pq ñ devemos passar por certas coisas!!! como assim, quem disse que só pq eu tenho uma família e amigos bons ñ posso passar por certos perrengues na minha vida? estaria eu sendo mimado ou orgulhoso??? no final tudo se resume na capacidade que temos de lidar com nossos sentimentos, pois, afinal só podemos ter certeza do que está acontecendo nesse exato momento! quantas pessoas com um câncer incurável que só tinham 1 ano de vida viveram mais de 10???? vcs acham que elas pensavam na morte ou na vida??? a gente realmente colhe o que planta!!! e o que plantamos vem do presente, então...oq vc quer plantar agora???
    joselito

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  2. Amigooo... Tá falado!! Tá falado... Você sempre surpreende! =p

    O que eu penso... Se não fosse passar por certas dificuldades na vida... Não encontraria um sentido para a morte... Pois não a temeríamos, logo não viveríamos...

    beijos Joselito!

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